quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O QUE É O AMOR?


Amor é: 
Uma palavra,
Um pedido,
Um apelido,
Uma pessoa,
Uma razão,
Um sentimento!

Amor vindo de quem amamos,
Por quem amamos,
Por quem pensamos,
Por quem chamamos,
E, às vezes, de quem odiamos.

Amor é apenas uma palavra,
Mas então por que pensamos nela?!
Porque AMAR é o melhor que podemos fazer...

Lília Durán

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SAUDADE OU ANSIEDADE?




Me pego sonhando acordada, 
sonho ou não sera nada?!
Nada?! Tudo?!

Agonia, o coração bate...
No compasso de minha ansiedade.
Ansiedade?! Não será saudade?!

Saudade?! Ansiedade?!
Como saber? Meu coração não responde...
Ele só bate latente...
"Nem de saudade, nem de ansiedade!"
"É um sentimento que chegou de repente,
mas não te direi porque você saberá..."
- Respondeu o coração.


Lília Durán

terça-feira, 29 de novembro de 2011

TIPOS DE AMOR




O amor pode vir de qualquer lugar.
Pode vir de repente,
Pode estar ausente,
Mas, principalmente, presente...

Presente no ausente,
Presente na saudade,
Presente por ter vindo de repente...

O amor que vem sem avisar,
Esse é o melhor...
PORQUE,
Vem sem avisar. 



Lília Durán

domingo, 13 de novembro de 2011

SEDUÇÃO OU RELAÇÃO?




Naquela tarde tudo parecia mais divertido do que nunca fora para Mariana. Isto porque seu novo professor de história, do colégio, mais parecia um deus grego saído dos livros do que, necessariamente, um respeitado professor. Bastante sério, que por sinal reparara, mas algo nele a instigava...ele sequer fizera um comentário sobre esposa, filhos ou família como seus professores costumavam fazer, mas então porque ele tinha uma marca de alinça deixada pelo seu no seu anular esquerdo, em sinal que já fora casado?! Será que eles haviam se separado ou ela morrera?! Bem, estas perguntas só ele poderia responder então prefiriu se aguentar até que o professor se acostumasse com a turma e começasse a dizer alguma coisa a respeito de sua vida pessoal.
No dia seguinte, chegara cedo. Rezando para que seu professor também chegasse e pudesse lhe arrancar alguma informação a respeito dele...e para sua sorte foi o que ocorreu. Ela pediu licença e entrou, deixou sua mochila na carteira e andou até ele, mas no meio do caminho a vergonha falou mais alto e foi em direção a porta e saiu. Lá fora ela se perguntava porque não havia criado coragem e falara com ele. Bem, a explicação era simples: se ele não dava o menor sinal de que queria falar de sua vida pessoal com seus alunos como ela poderia lhe perguntar algo que não fosse relacionado a matéria?!
Pensou, repenseu e finalmente chegou a uma solução: se ele só responderia questões referentes a matéria então ela lhe perguntaria sobre a matéria e, assim, tentaria criar algum vínculo de amizade para mais pra frente poder finalmente lhe perguntar sobre a sua vida pessoal. Voltou para a sala e foi na direção do professor, novamente, e desta vez convencida de que seriam amigos. Lhe pediu licença e perguntou se ele se importaria de lhe tirar algumas dúvidas da matéria do dia anterior que ele havia dado e que ao chegar em casa para estudar ela se dera conta que não havia entendido. Ele lhe deu um sorriso, e disse se ela se importava de se reunirem mais tarde, por volta de 17horas porque após a aula ele daria aula em outro colégio. Ela concordara, e ele lhe pediu que não comentasse com mais ninguém porque a escola não permitia este tipo de reunião fora do horário das aulas. Ela se surpreendeu com a compreensão e se sentiu culpada já que era mentira, que não havia entendido a materia, ao contrário, inclusive tirara dúvidas de alguns de seus amigos.
Ela sorriu, sem graça, e lhe disse que não queria causar nenhum problema, ele sorriu de volta e disse se ela se importava de só marcarem ali na porta do colégio e irem para a casa dele que assim ninguém saberia só os dois. Ali estava a oportunidade que ela precisava, pensou, e retrucou: "ah!, mas eu não quero ser incoveniente, sua esposa pode querer conversar com você" e riu, esperando alguma resposta. Ele sorriu, dizendo que não seria problema já que morava sozinho, pois não era mais casado e sua filha só o iria visitar no fim de semana. Pronto! Descobrira! Já foi casado e tem uma filha. Porém, a segunda informação de alguma forma a incomodara, mas não sabia o porquê.
As 17hrs em ponto lá estava ela, aliás antes das 17. Ficara tão ansiosa que chegara meia hora antes do combinado. Não conseguiu mentir para sua mãe, porém não lhe disse o real motivo de sua ida à casa dele, disse exatamente o mesmo que dissera ao seu professor: "estou com dúvida na matéria". A hora parecia passar devagar, olhou em seu relógio, marcavam 17:03. Estava atrasado, mas antes que tivesse tempo de ficar com raiva ele a chamou: "Mariana, desculpe o atraso. Então?! Vamos?" Ela se virou para a rua e lá estava ele, mais lindo que nunca, com óculos escuros. Nossa! Seria difícil fingir se concentrar assim! Ela deu a volta no carro e se sentou ao seu lado, no banco do carona. Mas, sua alegria durou pouco...isto porque ele precisava passar no mercado, mas, por que?? Ela sorriu, fingindo não ter nenhum problema, mas ficara curiosa para saber porque ele "precisava" ir no mercado. Ao chegarem ele pediu que pegasse um carrinho e prometeu que não iriam demorar, mas antes que ele lhe desse as costas ela o segurou e perguntou:
_ Márcio, por que estamos no mercado? Se é por minha causa não precisa tanta cerimônia eu como qualquer coisa... - lhe disse com um meio sorriso .
_ Bem, realmente era por sua causa, mas também por mim. Eu não tive tempo de ir no mercado e não tenho nada, nem balinha - lhe respondeu rindo.
Ela não aguentou a piada e riu também, riram juntos e ele sem se dar conta lhe segurou a mão, mas na cabeça de Mariana só poderia ser porque ele a via como uma filha e isso a deixou com raiva.
Eles andaram um pouco pelo mercado, de mãos dadas, e então ela se dera conta que mesmo quando ele se dirigia a uma prateleira para pegar alguma coisa ele voltava e lhe pegava novamente a mão. Foi então que ela começou a pensar muita coisa...menos que ele era como um pai para ela. Eles andaram mais um pouco e, antes que ele a pegasse novamente pela mão, ele percebeu que o tempo todo eles andavam de mãos dadas...mas porque ela não o alertara?! Bem, não deixaria a menina envergonhada. Quando eles estivessem no carrro lhe perguntaria. E foi o que fez: antes de ligar o carro ele pegou na mão de Mariana, olhou dentro de seus olhos e perguntou:
_ Mariana, desculpe ter andado de mãos dadas pelo mercado, mas quero saber uma coisa. Por que você não me avisou?
_ Ah! Bem...é que... - com o rosto todo vermelho, de vergonha, pela pergunta direta murmurava uma resposta mas não conseguia completar uma frase inteira. E Márcio, então, continuou:
_ Mariana você realmente está com alguma dúvida na matéria?! - lhe perguntou esperando um não, mas se surpreende com o porquê.
Sem responder, pela vergonha que a corroía, só conseguiu balançar a cabeça negativamente. Ele levantou sua cabeça  pelo queixo num gesto delicado e sensual e fez uma coisa que nem ele esperava fazer, mas no fundo os dois sabiam o porquê. A beijou. Foi um beijo inicialmente lento, como se um estivesse saboreando a boca do outro, e então ele a abraçou e a beijou mais profundamente, com mais intimidade e extrema sensualidade. Ela gemeu de prazer. Ao ouvi-la ele parou, a olhou e disse:
_ Mariana, você não é minha filha, mas tem idade suficiente pra ser e quero te fazer uma pergunta, que por ser pai tenho que fazer, mas quero que você me responda com muita sinceridade...
Antes que ele perguntasse Mariana já pensava na pergunta e morreria de vergonha se ele a pronunciasse, então lhe tampou a boca com os dedos e em tom sensual lhe disse ao ouvido: 
_ Não sou virgem se é o que quer saber, mas se o fosse eu nem te diria porque o que estou pensando em fazer independe disto, é só um detalhe e um detalhe que não me arrependeria de perder contigo.
_ Mari, posso te chamar assim?!
_Claro, querido. Posso te chamar assim?!
_ Se não se importar me chame de tudo menos de professor...
Quando disse isso, Mariana não aguentou e começou a rir, ele também e antes que voltassem às caricias ligou o carro e lhe disse:
_ Vamos, que acho que aqui não é um bom lugar pra fazer isto. E partiram.
No caminho eles foram conversando. Ele querendo saber porque ela se interessara por ele, já que dava as aulas com muita seriedade, quase com mau humor, e ela lhe explicou que era isso que a atraía porque sua curiosidade em saber por que agia assim a corroía. Riram, e continuaram a conversa, mas agora como se fossem dois namorados que acabaram de se conhecer. Perguntaram sobre gostos, músicas que ouviam, até sobre seus signos eles conversaram. Quando chegaram na casa de Márcio, subiram o elevador de mãos dadas e ainda dentro eles se beijaram. Sem se importarem pro que iriam pensar se os vissem juntos, devido a diferença de idade. Eles já nem falavam da escola porque ao final deste dia nem sabiam como se olhariam, sem transparecer este sentimento que estava começando a surgir...
Ele lhe mostrou a casa toda, inclusive o quarto da filha. Então, sem dizer nada, antes que ela pudesse reagir, a puxou para mais perto e a pegou no colo e a beijou. Surpresa só pensava que nunca esqueceria este dia. 
A pôs no chão e, de mãos dadas, foram para a cozinha. Antes que ela pudesse se oferecer para ajudar ele lhe disse:
_ Nem pense em me ajudar, você é minha convidada. Aliás, acho que depois de hoje seremos bem mais...E não terminou a frase, apenas deixou no ar. Para curiosidade de Mariana. O que ele quis dizer?! Ela só saberia se ficasse.
Ela se sentou num dos bancos da cozinha e o admirou. Como ele era cuidadoso. Para um homem parecia estar bastante acostumado a cozinhar e então ficou pensando porque seu pai não cozinhava para sua mãe...
Antes que chegasse a uma conclusão sobre o casamento dos pais, ele interrompeu seus pensamentos e disse:
_ Antes de comermos gostaria de tomar um banho. Você se importa de esperar?
_ Não, aliás bem que gostaria de um banho também, aceita companhia?
_ Hmmmm...acho que vou demorar hoje no banho... - concluiu rindo, de forma instigante.
Ela riu e eles foram de mãos dadas até o banheiro. Mas, para sua surpresa, ele tinha uma suíte e antes que pudesse pensar qualquer coisa ele a puxou para perto, colando seu corpo no dela e se beijaram. Então, ele foi beijando seu pescoço, descendo para o colo e com uma das mãos por dentro de sua blusa, fazia carícias em suas costas. Lhe desabotoou o sutiã com uma das mãos e com a outra levantou a blusa, fazendo-a levantar os braços para despi-la, e antes de tirar o sutiã a pegou no colo e se dirigiu para a cama, onde a deitou com todo cuidado, sem lhe desviar o olhar. A beijou novamente e a enlaçou com uma das pernas, para olhá-la enquanto lhe tirava o sutiã, lentamente e com delicadeza, saboreando cada poro de sua pele. Ao tirar por completo o sutiã a olhou, maravilhado com o formato, a cor rosada de seus bicos e notou como estavam rijos. A tocou levemente com os dedos e tomou um deles com a boca. Com a língua, fazia pequenos círculos,  joguinhos que a estavam enlouquecendo e a faziam gemer de prazer. Voltou a olhá-la e levantando  o corpo foi descendo-lhe a saia. Se despiram por completo e após algumas carícias enlouquecedoras ele a tomou. Com cuidado, primeiramente, pois não estava convencido de que ela não era virgem, mas ao perceber que ela lhe dissera a verdade aumentou a velocidade e chegaram ao gozo juntos. Ainda deitados se beijaram e de mãos dadas, ainda com a respiração acelerada, pelo ato, entraram no banho. Após mais algumas horas de diversão, Mariana se deu conta do horário e lhe disse que combinara com sua mãe de chegar no máximo às 22, como já eram 21 tinha que se arrumar porque era mais ou menos o tempo que levaria até chegar em casa. Ele se vestiu e antes que ela se negasse ele disse que não se preocupasse, chegaria cedo. Ele a levaria de carro, não a deixaria ir sozinha. Ela discutiu um pouco, mas por fim aceitou a gentileza e o advertiu que não se beijassem porque morava em seu prédio desde pequena e o porteiro poderia ver e contar para sua mãe. Ele lhe respondeu que não se importava, já que não era casado não devia satisfações a ninguém e caso sua mãe brigasse com ela que o avisasse, ele conversaria com sua mãe. Ela se espantou de início, mas gostou. Enfim, parecia que ele não queria só isso...
Ele a deixou na porta de seu  prédio e lhe abriu a porta para que saísse, mas antes de conseguir correr para o prédio ele a segurou e a beijou. O porteiro, ao vê-la entrar, deu um boa noite em meio a risinhos debochados e ela, sem graça, o saludou de volta. Dentro do elevador, se perguntava o que diria a sua mãe.  Ao notar que seus cabelos ainda estavam molhadas devido ao banho, não lhe restava outra alternativa senão contar a verdade. Não mentia nunca para sua mãe, mas só de pensar em como a mãe reagiria morria só de pensar. Nunca brigara com ela. Eram muito amigas e conversavam sobre tudo, inclusive quando perdeu a vingindade. Sua mãe que a acompanhou para o ginecologista pra que avaliassem se ela poderia tomar pílula e todo mês sua mãe, pontualmente, lhe comprava e junto lhe dava um caixa de preservativos. Sempre foram amigas, cúmplices. Mas, será que isso acabaria agora?! Ao abrir a porta sua mãe a esperava acordada. Estava vendo tv e nem se importara com a hora, a abraçou e ao lhe perguntar como foi o dia ela lhe respondeu com um simples: "ótimo". A mãe riu, mas a deixou ir para o quarto trocar de roupa. Ainda nem acabara de trocar a roupa sua mãe bateu na porta, entrou e lhe disse: 
_ Filha, sabe que você não precisa me esconder nada, né?! Se não quiser contar pro seu pai desse seu namorado novo tudo bem, mas não precisa mentir que foi no seu professor. Agora, me conta! Estou curiosa para saber quem é o felizardo?
Mariana se espantou e acabou rindo porque mesmo que quisesse não conseguiria mesmo mentir. Sua mãe até se dera conta que ela não estivera estudando e respondeu com sinceridade:
_ Mãe, eu realmente não estava estudando...eu ia mas, tomou outro rumo minha visita...
_Hã?? 
_ Bem, vou te explicar. É melhor você se sentar...
Se sentaram na cama de Marina e ela lhe contou como tudo ocorrera: o passeio pelo mercado, os beijos no estacionamento, enfim, a tarde de amor na cama de seu professor. Sua mãe estava em choque! Mas, não lhe demonstrara nada, nem sequer nojo. Nada! Parecia tão surpresa, quanto ela mesma ficara, ao se dar conta de que  ele também a olhara com outros olhos.
Enfim, passados alguns minutos, sua mãe lhe disse:
_ Então seu novo namorado é seu professor de História?
_ Não sei, mas depois de hoje penso que sim. Ele me disse que faria questão de falar com a senhora se eu tivesse algum problema e que me proibia de te esconder alguma coisa, a você e ao papai. Ele me proibiu de mentir!
_ Bem, se ele tem uma filha, acho que ele está agindo como gostaria que um homem agisse com ele se o mesmo ocorresse com ela...sei que você deve estar pensando o que vou dizer, então só tenho uma coisa a dizer: Que bom gosto hein!! Eu também faria o mesmo no seu lugar!
Relaxada e espantada, Mariana riu com a mãe. Conversaram, e sua mãe decidiu que, por enquanto, já que não sabiam se isso tudo daria realmente em compromisso, não falaria nada ao seu pai e que ela poderia se encontrar mais vezes com ele, mas que ela fazia questão que lhe contasse tudo! Porque ela iria arder de curiosidade. Mariana e sua mãe gargalharam. E ela contou como havia sido tudo e por fim se deitaram.
No dia seguinte, Mariana levantou cedo, pois agora que ela tinha um motivo e uma desculpa, também, para se arrumar melhor. Tudo bem que o uniforme não ajudava, mas poderia dar um jeito com uma maquiagem, mesmo que leve, e faria um penteado diferente. Todos, inclusive Márcio, se dariam conta da mudança.
Se arrumou, tomou café e foi para a escola. Sua mãe, como sempre, a deixara na porta, de carro, e seguiu para o trabalho. Ao entrar, ainda no portão, seu olhar se cruzou com seu professor, agora não mais estranhos. Precisava manter o controle, mas devido ao tumulto de alunos na porta ninguém percebeu quando ele lhe acariciou a mão ao passar. Ela sorriu, ele sorriu de volta e se cumprimentaram com um simples "Bom Dia!" e seguiram para suas salas, lado a lado, ele para a sala de professores e ela para sua aula de geografia. No intervalo, estranhou a falta de Márcio. Ele sempre descia pra comer alguma coisa. Mas, por que não descera?! Então, quando olhou para as escadas percebeu que ele estava indo embora e pelo visto com todo seu material. Ela não entendeu. Sua próxima aula, depois do intervalo, era com ele! Só conseguia imaginar que ele fora mandado embora e o pior porque ele decidira, sozinho, que o melhor era sair da escola antes que algo mais acontecesse. Passou o resto do intervalo triste. Mas não chorara, estava tão chocada, que não conseguia chorar. Nem uma lágrima.
Já na sala, se acalmou. Nada ocorrera. Até esquecera que ele era professor substituto. Na sua confusão mental, pelo que vira, nem pensara nisto. A professora estava de volta. Então, ele não seria mais seu professor...então será que haviam esperanças?! Agora que não era mais seu professor poderiam ficar juntos! Não seria antiético. Seria?!
Passou a aula toda pensando na saída de Márcio. Será que ele deixaria a escola ou apenas daria outra disciplina?! Já que a professora que ele substituira retornara...Quando o sinal da saída tocou quase saltou. Nem se dera conta do tempo que passara pensando. Guardou seu material e ainda no portão viu que Márcio estava encostado em seu carro, do lado de fora do carro. Na frente de quase a escola inteira! Meu Deus! Ele não faria isso, faria?!
Ao sair, fingiu que não o vira. Mas, era tarde e ele a acompanhava com o olhar sua saída inteira, sem desviar um segundo. A pegou pela mão e se beijaram. Ainda na porta, todos começaram a cuchichar e ela se sentiu a mulher mais sortuda do mundo, com toda a vaidade, normal em sua idade. Duas amiga suas, que estavam paradas na calçada conversando, a olharam e piscaram. Elas aprovaram! Era o que ela precisava, o apoio de suas amigas. Entraram no carro e se dirigiram ao apartamento dele. E parecia que este seria o primeiro dos muitos dias que ele faria isso. Este era o início de um feliz relacionamento...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

QUANDO?


Por que ainda te sinto?!
O quê?! Te sinto?! Enlouqueço!
Mas, quando te sinto... reconheço,
Não te esqueço. 
Por que não te esqueço?
Loucura!
Mas, se é loucura... por que não te esqueço?


Quando?! 
Quando te conheci pensei que era amor,
Te via, não te esquecia,
Será que era amor? Que agonia,
Que desconfiança. 


Lágrimas percorrem minha face, todos os dias,
Quando me lembro de como me sentia.
Hoje, percebo que não te amava
Porque tampouco eu me amava 
Nem a mim mesma amava!
Pensei que não servia,
Então, lembrei-me de ti
E vi que te esqueci. 
 
 

Lília Durán

TODO MUNDO TEM DOIS LADOS


   Naquela tarde, Isabela estava deslumbrante, como sempre: vestira um jeans, uma camiseta e colocara sua jaqueta. Com o frio, pôs seu cachecol rosa e suas botas de camurça caramelo. Porém, não era a roupa a questão, mas o brilho intenso de seu olhar que irradiava: era algo mais, algo que só ela sabia. Arrumou sua bolsa enorme, trancou a porta e saiu em direção ao parque. Afinal, não deixaria de caminhar por conta do frio.
    Observou o lago: era de um azul tão intenso, que fazia seus enormes olhos azuis brilharem. Caminhou em direção ao jardim onde se sentou na relva, para olhar em volta. Gostava disso: observar pessoas. Podia passar o dia todo as observando: o olhar, as roupas, tudo! Isabela simplesmente observava, para decidir o que fotografar ou quem fotografar. Mas, não eram simplesmente fotos, era como se ela "captasse" a alma da pessoa, do ser ou do objeto: como se além da foto viesse junto a alma.
    Após fotografar tudo que lhe chamara a atenção foi para casa, onde poderia revelar as fotos e observar mais um pouco o que conseguira. Após revelar todas , pegou um café e sentou-se no sofá para relaxar, enquanto admirava as fotos. Olhou uma por uma e, por fim, parou numa específica: não sabia se eram os olhos, o brilho intenso dos cabelos ou a pele de porcelana, mas aquela mulher simplesmente lhe chamara a atenção. Era ela! Enfim, depois de alguns meses, voltaria finalmente a trabalhar. Colocou seu uniforme e partiu para o parque. Se sua intuição não falhasse (nunca falhara), aquela mulher gostava de caminhar pelo parque à noite. Para passear com seu cachorro ou simplesmente para pensar na vida.
    Caminhou por algumas horas, esperando que a mulher, que fotografara pela manhã, retornasse. Parecia ser tarde, já que eram só ela e algumas pessoas passeando com cachorros. Finalmente, após horas de espera, ela apareceu. Radiante, como estava pela manhã quando a vira. Acertou de novo: estava caminhando, mas não estava com nenhum cachorro. Estava só. Bem, pelo menos não teria nenhum animal latindo quando se aproximasse dela. Foi em sua direção e tocou em seu ombro, para que não se assustasse ou começasse a gritar. Ela se virou: era ainda mais insuportavelmente radiante! Porra, ela comia glitter?! Parecia! Ela irradiava alegria: era isso! Por isso, parecia brilhar, ela toda transmitia uma alegria... Alegria irritante!
    Se cumprimentaram e Isabela não lhe disse seu verdadeiro nome, mas a mulher parecia que acreditara e sincera ao dizer o seu: Margarida. Argh! Até seu nome era alegre! Caminharam e conversaram por alguns minutos, e finalmente se sentaram, bem próximas do lago. Ali faria o que estava pensando desde que a vira. Conversaram mais um pouco, e Isabela foi se sentindo cada vez mais radiante: seus gestos, a postura de seu corpo, tudo nela parecia transmitir alegria: era assim que se sentia quando encontrava a alma que queria "captar". Continuava ouvindo aquela risada, porém não saberia por quanto tempo mais aguentaria. E, então, sem dizer nada a puxou pelos cabelos e a esfaqueou algumas vezes com a faca que guardara em seu casaco:. Não saberia dizer quantas, mas o suficiente para não a ouvir mais rir. Se levantou, arrastou-a até a margem do lago, limpou as luvas sujas de sangue e jogou a faca no chão. Não se preocupava com DNA. Afinal, quem a identificaria?! Passara o tempo todo com as luvas, e a idiota nem se dera conta! Além disso, sempre ia ao parque tirar fotos. Não levantava suspeitas.
    Caminhou mais um pouco, para não chamar atenção e foi embora. Em casa, fez o que sempre fazia: guardou o chumaço de cabelo da mulher, junto com todos os outros. Pegou um café, sentou-se e voltou a olhar a foto. Bem, agora Margarida iria florir todo o jardim do parque: a plantara com o devido cuidado que merecia.
    Isabela pegou a foto que tirara pela manhã e começou a rir, ria alto! Pelo que fizera e lhe dava tanto prazer, pela piada que pensara, pela morte daquela flor insuportavelmente feliz, por tudo! Ria por fazer o que fazia: matar impunemente! Era seu "trabalho" predileto! Afinal, "captar" a alma de uma pessoa não era nada fácil! 

Lília Durán

terça-feira, 12 de abril de 2011

O PLANO



         Já era hora de falar com o professor, todos estavam apreensivos devido às notas anteriores terem sido, de maneira geral, baixas. Mas, eu já sabia o que iria ocorrer: prova final! Fui até onde estava, vi a nota, assinei o papel e, por nervosismo, comecei a rir. Meus amigos que já sabem como sou entenderam: estava em prova final. O que eles não imaginavam é que eu havia ficado em prova final por um ponto...

         Ao final da aula, ele comunicou à turma que estaria disposto a conversar com quem quisesse vista de prova. Numa tentativa, em vão, fui procurá-lo e argumentei que ele havia sido rígido demais na correção da primeira questão. O resultado já era o que eu esperava: não houve mudança na nota. Passei o dia irritada, porque sabia que havia sido pessoal, outros alunos haviam cometido o mesmo erro que o meu e ele não foi tão rígido na correção como foi comigo. Só havia um jeito de mudar aquela situação: tentar uma conversa a sós, na esperança de sem outros alunos por perto, ele considerar.
        Mandei um e-mail na mesma tarde, propondo conversarmos no final daquela semana ou quando melhor fosse para ele. Na manhã seguinte, obtive resposta e para minha surpresa ele aceitou, mas não poderia ser para o final da semana como propus, teria que ser no começo da outra. Passei o final de semana todo pensando se deveria fazer o que estava pensando: seduzi-lo! Tentei me distrair para não transparecer para ninguém o que pensava em fazer, só eu e ele saberíamos.
       No dia marcado acordei cedo, me perfumei, me maquiei, usei um vestido bem decotado e provocante, pus um salto alto e fui à faculdade. Havíamos marcado no refeitório, já que seria uma conversa informal. A me ver, se levantou e sorriu, mas não transpareceu nada, a não ser uma modesta cordialidade. Aceitei me sentar na cadeira que ele havia puxado, cruzei as pernas e o olhei, mas não era o mesmo olhar de sempre, havia malícia em meu olhar e, para minha surpresa, ele me lançou um olhar discreto, porém sutilmente sensual, um olhar que só eu e ele entendemos.
         A conversa já havia mudado de curso há alguns minutos e aquela altura eu já não mais sabia quem seduzia quem, só pensava numa coisa: diga o local e vamos logo! Ficamos mais alguns minutos, rimos um pouco e então ele se deu conta que já era hora de ir para seu outro trabalho. Nos levantamos e houve um longo silêncio, nos olhamos e então perguntou se estava indo para casa ou se tinha algum compromisso. Entramos no elevador e lhe respondi que tinha o resto do dia livre e então fui surpreendida mais uma vez: me convidou para almoçarmos juntos. Tentei transparecer certo desdém, lhe dizendo que não havia vindo preparada financeiramente, dei um sorriso sem graça e olhei para baixo. Ele levantou meu queixo e disse que minha companhia era o suficiente, que não me preocupasse e sorriu. Aceitei.
        Caminhamos juntos em direção ao estacionamento. Aquela altura ele já não estava tentando disfarçar nada, ao menos não para mim, deixando bem claro qual seria o cardápio. O estacionamento estava um pouco escuro, pois havia deixado seu carro no subsolo. Loucura ou desejo incontido ele fez o que qualquer homem em seu lugar faria: me empurrou para a parede atrás de mim e me beijou. Foi um beijo forte, cheio de desejo e um certo tom de selvageria. Parou, segurou meu rosto entre as mãos e me olhou fixamente. Ficamos assim alguns minutos até que escutamos passos e nos recompusemos, caminhando discretamente. Entramos e novamente me agarrou, agora com certa indiscrição, já que do lado de fora não se via o que ocorria entre nós devido aos vidros escuros e também à pouca luz. Decidimos ir para um lugar mais sossegado e, assim, fazermos o que realmente queríamos sem nos preocuparmos se alguém nos veria.
           Passados alguns minutos, lá estávamos. Sem dizermos nada, nos abraçamos, nos olhamos e nos beijamos, mas desta vez sem a ferocidade anterior, agora o fazíamos com carinho e as carícias quem as faziam eram nossos lábios. Nos despimos, com toda a calma e sensualidade que um momento como este necessita e, finalmente, nos embebemos um com o sexo do outro. Por fim, ficamos abraçados nos olhando e nos acariciando até que nos demos conta que havíamos passado a tarde juntos. Ele devia explicações ao trabalho e eu precisaria de uma boa desculpa ao chegar em casa tão tarde se só iria conversar por alguns minutos com o professor. Nos vestimos sem pressa, já que de qualquer forma estávamos atrasados, ele pagou a conta e, para minha surpresa, me deixou na porta de casa. A gentileza me comoveu.

        Ao chegar ao meu destino, o circo já estava armado. Minha mãe me esperava com seriedade à porta. Ao me deparar com seu rosto sem expressão e o olhar fixo, me sobressaltei de susto. Tentando não contar exatamente o que havia ocorrido, expliquei que perdi a noção do tempo por ficar conversando mais do que somente a prova com o professor e que se achasse necessário que telefonasse para a faculdade e perguntasse na portaria o horário de minha saída. Rezei para que não ligasse. Não fez. Mas, me fez prometer que se o mesmo voltasse a ocorrer que telefonasse avisando que me demoraria, pois ela ficava preocupada. Por fim perguntou-me qual havia sido o resultado da conversa. Ri e lhe expliquei que havíamos conversando muito sobre literatura, mas que nem por um segundo me lembrei de lhe perguntar. Ela estranhou no inicio, mas devido à minha personalidade distraída, fui salva. Lhe expliquei que enviaria um e-mail para ele mais tarde lhe perguntando. Foi o que fiz, mas além da resposta me foi perguntado algo que nunca esperaria ouvir. Me confirmou que me passaria, mas que a forma com a qual lhe devolvi o favor havia sido modesta demais e ele queria mais e me perguntou se estaria livre no fim de semana. Não lhe respondi de imediato, não sabia ao certo o que responder. Pensei e repensei e cheguei a uma divina conclusão: ele trabalhava em outro lugar e sempre enviava convites aos seus alunos para conhecer o local e assistirmos a palestras. Inclusive minha mãe mais de uma ocasião me perguntou por que não ia. Resolvi assim: à ele lhe respondi com sinceridade; à minha mãe lhe dei uma desculpa. Chegado o dia ele preferiu por me buscar em frente ao meu prédio, nos dirigimos ao local programado e nos tomamos como já era previsto.
     O que de inicio era uma vingança passou a ser um romance. A aluna passou a ser amante. Passamos a nos encontrar toda semana. O pagamento agora se chamava paixão. Passaram-se meses até que ele veio com uma conversa que não esperava: me disse que se havia apaixonado. Largaria mulher, trabalho para ficarmos juntos, conversaria com minha mãe... Não quis! O encantamento se quebrou. O perigo me excitava. Não queria carinho ou qualquer outro sentimento. Vingança era o que me acometia.

Lília Durán